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Especial FEMMIC 2012

- Ano 2 - Outubro de 2012 

 
 


FEMMIC 2012: o Brasil esteve aqui

IF Baiano realizou no Campus Catu um dos maiores eventos científicos da Educação Básica do país


O Instituto Federal Baiano promoveu no Campus Catu, de 24 a 26 de setembro, a 11° edição da Feira dos Municípios e 2° Mostra de Iniciação Científica (FEMMIC 2012). O evento reuniu participantes da Bahia e de mais 18 estados. Estima-se que, pelo menos, oito mil pessoas compareceram ao evento. 

A FEMMIC 2012 foi organizada pelo Grupo de Pesquisa em Educação Científica e Popularização das Ciências (GPEC), vinculado ao IF Baiano. O evento ficou estruturado sob cinco categorias principais: a Feira dos Municípios, tradicionalmente feita há mais de 30 anos em Catu (BA); a Mostra Científica, que congrega participantes da Educação Básica, Técnica e Superior, onde estudantes apresentam projetos de pesquisa que desenvolvem nas mais variadas áreas do conhecimento; realização de Minicursos e Oficinas, abrangendo a qualificação de pessoas nos diversos assuntos; Mesas Redondas, abertas a professores, que discutiram questões pertinentes à Educação Científica na Bahia e no Brasil; e Espaço Cultural, que contou com a participação ativa de vários alunos, tanto em plateia quanto na ala de apresentações do palco principal do evento.

Uma mesa de honra abriu o cerimonial com a presença: do Reitor do IF Baiano, Sebastião Edson Moura; do Pró-reitor de Extensão deste Instituto, Alberto Oliveira; do diretor do Campus Catu, Alex Batista Dias; e da representante da prefeitura desse município, Maria Joanil Silva Souza.

Em oportunidade, o Reitor do IF Baiano lembrou da tradição que as antigas Escolas Agrotécnicas Federais (EAF) tinham na promoção de Feiras de Ciências. Sebastião Edson destacou a importância que esses eventos possuem na integração entre instituições de educação, empresas e comunidade. Para Moura, os encontros feitos anteriormente tinham esse intuito, porém, eram restritos à comunidade local.


Reitor do IF Baiano vê na FEMMIC uma oportunidade de produção e difusão do conhecimento em rede

"Com a transformação em IF Baiano, essas unidades passaram a se portar como uma Rede de Institutos Federais. Assim, o diálogo entre os IF's se estreitou ainda mais e as ações desenvolvidas entre eles reforçam os vínculos cada vez mais fortes e duradouros na promoção de uma Educação Científica e Tecnológica em cadeia nacional", afirmou o reitor.


Expansão de uma Rede Científica e a formação de jovens pesquisadores


A FEMMIC 2012 é a conseqüência de um conjunto de projetos que a antecede; uma culminância de políticas do Governo Federal em descentralizar a produção e difusão do conhecimento. Os trabalhos apresentados e a origem dos seus autores demonstram o intercâmbio educacional e cultural que marcou este evento. "A troca de informações sobre as diferentes realidades da Educação no país é imprescindível para cada instituição participante avaliar o trabalho que tem desenvolvido e, assim, qualificar ainda mais sua atuação na sociedade", enfatiza o diretor do Campus Catu, Alex Dias.

Um diferencial da FEMMIC 2012 foi a inscrição de projetos científicos por alunos da Educação Básica. De acordo com o presidente da FEMMIC, o IF Baiano tem incentivado, cada vez mais, a participação de estudantes em projetos científicos. "A FEMMIC é o resultado de uma das etapas de formação desses jovens pesquisadores. O IF Baiano provou, mais uma vez, que é possível aliar 'Ensino, Pesquisa e Extensão' já na Educação Básica. Eventos como estes quebram os mitos de que só se faz pesquisa em universidades. A Educação deve ser projetada seguindo essas etapas de formação pedagógica e social dos estudantes. É preciso investir na base até que os retornos também aconteçam na Educação Superior", comenta Marcelo Souza.


"Eu sou aquele do lado de lá do computador", afirma o presidente da FEMMIC, Marcelo Souza, revelando os bastidores de organização do evento para manter diálogo com os participantes vindos dos 19 estados do país


A FEMMIC já classificou estudantes-pesquisadores das mais variadas áreas do conhecimento e dos diversos lugares do Brasil para as maiores feiras de ciências do país, como a Ciência Jovem (Espaço Ciências, Pernambuco); Mostratec (Fundação Liberato, Rio Grande do Sul); Febrace (Universidade de São Paulo, São Paulo). Além disso, o evento é um espaço em que os jovens pesquisadores têm a chance de mostrar desempenho e pleitear Bolsas de Iniciação Científica do CNPq e outras mais.

O Diretor de Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Artur Caldas Brandão, esteve no evento, visitou os estandes e se reuniu com o Reitor do IF Baiano, com o Diretor do Campus Catu e com o Coordenador Geral de Inovação do IF Baiano, Denilson Sodré, para discutir a ampliação da parceria entre a Fapesb e o IF Baiano em projetos de pesquisa e inovação.



Diretor de Inovação da Fapesb e Coordenador de Inovação do IF Baiano conferem de perto os resultados da soma de conhecimentos e saberes dos jovens pesquisadores

Atualmente a Fapesb tem contemplado alguns projetos do IF Baiano com a concessão de bolsas para doutores-pesquisadores desse Instituto. Mas, com a culminância da FEMMIC, essa articulação deve se estender ainda mais.  “Depois das discussões que tive aqui vou colocar na minha pauta de ação, tentar da melhor forma e da maneira mais rápida possível dar uma escala de dimensão estadual a essa iniciativa que já vem sendo desenvolvida com o IF Baiano há alguns anos. Estas experiências bem sucedidas têm que ser fomentadas, financiadas, trabalhadas e difundidas. Temos que levar outras instituições, de outros municípios, a trilhar por esse caminho que é pleno e seguro ao desenvolvimento”, declara Brandão.



Artur Caldas fala sobre a necessidade de parcerias entre instituições na promoção da ciência


Ações integradas de Educação para o desenvolvimento local

De acordo com a representante da Prefeitura de Catu, Maria Joanil Silva Souza, a atuação do IF Baiano na comunidade catuense demonstra o avanço na qualidade de Educação na esfera municipal, com o intermédio do Governo Federal.

Joanil relatou sobre os projetos do Ministério da Educação executados nessa cidade com a intervenção do Instituto Federal Baiano - como o Programa de Educação de Jovens e Adultos (Proeja) - e também da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica que têm levado cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) ao município. A representante da gestão política de Catu ressalta que eventos como a FEMMIC são importantes para esclarecer aos trabalhadores, estudantes, adultos e crianças sobre as ações tomadas em prol da Educação na região.

De acordo com a Coordenadora de Difusão Técnico-Científica e Cultural da Pró-reitoria de Extensão do IF Baiano (Proex), Cristiane Brito, a FEMMIC foi um espaço em foi possível obter um retorno também da comunidade em relação aos projetos desenvolvidos pelo Instituto. A Proex foi representada também com um estande onde os visitantes puderam tirar dúvidas e fazer sugestões. "Nosso diálogo permitiu que as pessoas percebessem que o IF Baiano é estruturado não somente em Ensino e Pesquisa, mas, também, em Extensão. E, claro, atuando de forma integrada.", destaca Cristiane.

O 'Escola Intinerante' foi lembrado pelo diretor do Campus Catu e também por estudantes que exercem ou já participaram de atividades do projeto. Trata-se de um projeto desenvolvido pelo IF Baiano há quase 20 anos – iniciado no Campus Catu, e atualmente trabalhado, também, no Campus Santa Inês – que desloca uma equipe multidisciplinar destes campi até as comunidades. O objetivo é orientar pessoas em suas atividades cotidianas, com base em pesquisas realizadas no Instituto. Inclusive, durante o evento, a Coordenadora de Programas e Projetos do IF Baiano, Mércia Xavier, anunciou a criação do chamado "Programa Ciência Itinerante". O objetivo é ampliar o atual Escola Itinerante, e assim, potencializar a disseminação e popularização da ciência e do conhecimento produzido no Instituto Federal Baiano.

Camila Santos Torres é moradora de Catu e visitava os estandes da FEMMIC. Ela é uma ex-aluna do IF Baiano e participou, por dois anos, do projeto Escola Intinerante, através de iniciativas de Extensão. Camila defende que o Escola Intinerante, assim como outros de interação 'escola-comunidade', devem ser preservados. "É importante que o conhecimento não fique apenas em sala de aula. Senão, não adianta estudar e pesquisar. Todo esse esforço deve ser empenhado no cotidiano de cada pessoa de um local. Assim, todos saem ganhando", diz.

A ex-aluna do curso Técnico em Agropecuária agora se qualifica na área de Petróleo e Gás. Camila foi aos estandes adquirir mais informações sobre sua nova e futura profissão. Por isso sabe bem sobre a importância que tem a valorização da Educação por empresas e instituições de uma região; ela é bem categórica em relação a esse assunto e faz sugestões: "o que se faz por jovens, hoje, tem retornos. Não estou falando simplesmente de ajuda, e sim, de investimento. As empresas podem participar da formação de trabalhadores e cidadãos", afirma.

Outro visitante circulava pelos espaços da FEMMIC ainda com o uniforme de trabalho. Rosair Sena da Siva é morador de Pojuca (BA) e conta que já participou de eventos científicos em São Paulo (SP), Recife (PE) e Salvador, mas nunca havia ido a eventos como a FEMMIC. "Eu pensava que ia ser uma coisa local, mas vejo que o evento tem uma grandeza que me fascina", diz. O técnico em edificações foi aprofundar mais sua qualificação na área que já trabalha. Ele conta que, apesar de atuar há vários anos com a construção civil, pôde adquir novas informações e repassar o que já conhecia.

Quando questionado sobre as curiosidades pessoais nas mostras, Rosair diz que a Feira despertou nele o anseio de reciclar seus conhecimentos e alargar ainda mais suas especialidades. Ele diz que, mesmo com o seu filho (e aluno do IF Baiano) apresentando um trabalho sobre 'energia renovável', ficou encantado com os temas das exposições envolvendo a 'mecatrônica'.

A região do município de Catu tem uma economia com imenso potencial para o desenvolvimento da Indústria Petrolífera. Por isso, dois estandes apresentaram o tema: o do Curso Técnico em Operação e Produção de Petróleo e Gás, modalidade Subseqüente, oriundo de uma parceria entre o IF Baiano e a Petrobras S.A; e o Curso Técnico de Petróleo e Gás, modalidade Integrado ao Ensino Médio, do Colégio Estadual Pedro Ribeiro Pessoa, também com incentivos da Petrobras.

Com o foco 'Destino dos Resíduos Sólidos Petrolíferos', Mônica Santos mostra seu projeto de pesquisa. O estande do Colégio Estadual Pedro Ribeiro apresenta sobre a cadeia produtiva desse que é um dos setores mais expansivos na economia global e local. O curso é dirigido pela Superintendência de Educação Profissional da Bahia (Suprof-BA), sob a coordenação da professora Heloísa Lemos de Santana, com duração de quatro anos, formando sua primeira turma em dezembro de 2012.

Segundo essa gestora, a feira é um espaço imprescindível para que as pessoas conheçam o curso. "Somos a única instituição do país a ofertar essa formação técnica com a gerência de um governo estadual. Mas, ainda assim, tentamos contar com a colaboração de empresas, instituições e pessoas para darmos prosseguimento ao curso", revela a professora, enfatizando sobre a necessidade de parcerias com outros agentes.

O estande que essa turma apresenta na FEMMIC reflete a postura pedagógica e social de formação desses discentes. "Procuramos, acima de tudo, motivar nossos alunos para os desafios da profissão. Além disso, conscientizamos esses estudantes a terem uma visão mais ampla dos processos de produção, para que eles possam compreender, também, os impactos sociais e ambientais das atividades petrolíferas", aponta a coordenadora do grupo que expõe sobre o ciclo da "mina do ouro negro" de Catu e região.

Um outro especialista nessa área demonstra concordar com a avaliação de impactos das atividades humanas no espaço ambiental, que envolve uma das temáticas principais da FEMMIC 2012. Diretor técnico da chamada 'Preservando a Natureza Praticando Cidadania (PNPC)', Heitor Dias mostrou os projetos desenvolvidos por essa Organização Não-Governamental que confirmam seus argumentos.


"tentamos promover uma Educação Ambiental que potencialize o envolvimento da sociedade", diz o representante de ONG instalada em reserva de Mata-Atlântica na cidade do Salvador.


O representante da PNPC conta que tem sido um desafio seguir com os trabalhos da ONG. “Estamos instalados em Salvador com uma reserva de Mata Atlântica em pleno meio urbano, onde a construção civil cada vez mais ganha espaço. Por isso, mantemos parceria com o Exército Brasileiro para continuar trilhando esse caminho de conscientização da população para a sustentabilidade de nossos recursos. Para isso, tentamos promover uma Educação Ambiental que potencialize o envolvimento da sociedade”, relata.
   
Comunidade participa das atividades

Em todos os dias do evento, foi notável a inclusão da comunidade com as propostas da FEMMIC. O diretor do Campus Catu explica que a FEMMIC tem por objetivo estimular alunos e professores a continuar estudando e pesquisando na tentativa de ampliar os horizontes do conhecimento e, também, reunir a comunidade nessa caminhada conjunta. “Acredito que a ciência deve ser feita para descobrir o novo, reforçar e somar os conhecimentos adquiridos para que sejam proporcionadas mudanças e melhorias sociais”, destaca o professor Alex Dias.



Mais de oito mil pessoas trilharam pela FEMMIC 2012


As próprias mostras de projetos traduzem um trabalho desenvolvido pelo Instituto Federal Baiano a cada dia. Os visitantes puderam identificar nos estandes o resultado de estudos feitos com produtos agropecuários, com as reações quimicas constituintes desde o petróleo ao alimento que cozinhavam em casa.

Os estandes comportaram gêneros agropecuários e produtos artesanais processados e feitos por cooperativas parceiras do IF Baiano. Algumas destas mostras garantiram a renda de pequenos proprietários e comerciantes locais. 

Algumas prateleiras carregavam parte dos gêneros alimentícios oriundos de atividades laboratoriais dos cursos técnicos de agroindústria e de cozinha. Os alunos aprendem sobre as propriedades dos alimentos em sala de aula; praticam esse conhecimento visando, também, exposição em eventos como a FEMMIC.
           
Essa é uma ação de Extensão desenvolvida por um pesquisador e também por um extensionista. Segundo a Coordenadora de Difusão Técnico-Científica e Cultural, ainda que haja pesquisa sobre os mais variados temas, o conhecimento não pode ficar restrito a um grupo ou instituição. “A produção científica deve fornecer subsídios para que a comunidade se identifique com a troca de conhecimentos e saberes”, reforça Cristiane Brito.       

E foi isso que aconteceu. Pelo menos é o que demonstraram visitantes como Nanci Mendes que contemplou as variações de doces, laticínios, receitas alternativas, entre outras mais expostas na FEMMIC. Nanci Mendes é dona de casa e relata que sempre freqüentou a Feira dos Municípios em Catu. Ela se mostrou satisfeita com a visita que fez. “É sempre bom participar destes eventos porque sempre têm algo novo que a gente pode aprender e tem outras coisas do nosso dia-a-dia que até repassamos para a garotada; eu até consegui conhecer outras maneiras de se fazer doces com frutas, e ainda, aproveitar as cascas de legumes para outras comidas. Aliás, também nunca tinha pensado em fazer iogurte de maracujá. Uma maravilha”, classifica Nanci.

Lícia Ferreira é uma outra curiosa que passou pela FEMMIC. Ela conta que encontrou na FEMMIC novidades dentro de sua área de interesse. “Eu gosto muito de plantas. Consegui aprender sobre a aplicação de alguns vegetais no preparo de medicamentos caseiros. Por isso, além de mudas de plantas, levo conhecimentos que vou cultivar nos meus afazeres”, disse.  

Minicursos atraem públicos diversos
     
Foi grande a movimentação para inscrever participantes dos minicursos. Os temas variaram em torno das propostas principais da FEMMIC 2012. Estas atividades ocorriam paralelamente às outras previstas na programação principal e reuniu pessoas dos mais variados lugares.

Vindo do Rio de Janeiro, Samuel Matheus Geraldino foi um dos facilitadores de minicurso. Ele é mestrando em ‘História da Alimentação’ pela Universidade de Campinas (Unicamp), Técnico em Cozinha, fez cursos e tem passagens em restaurantes de Portugal, Espanha, França, Itália e outros lugares. Samuel revela que tem se especializado, cada vez mais, numa abordagem sobre aspectos relacionados ao profissional de alimentos. Segundo Samuel, é importante que as pessoas tenham consciência do papel de um cozinheiro ou chefe de cozinha para além de técnicas e métodos práticos.

Esse pesquisador lecionou sobre ‘Laboratórios Gastronômicos: a Ciência como Apoio para Cozinhas Melhores’. De acordo com Samuel, é preciso lidar com as atividades culinárias a partir de um olhar sistêmico e profissional. Então, quando interrogado sobre as formas de conscientização e de simplesmente repassar essas informações a um grupo de orientandos tão diverso - seja em idade, grau de instrução e condições socioeconômicas – ele responde: “eu acho que um curso na área de cozinha sempre terá um estranhamento no começo e é importante que haja esse impacto quanto ao mundo externo e interno desse curioso ou desse profissional”.

Ele reforça que o diferencial se dá na procura por inovação, a partir do reconhecimento do local, do produto que se quer disponibilizar e dos elementos que esse sujeito possui em disponibilidade. “O uso da criatividade aqui em Catu pode se tornar uma Gastronomia em todo o Brasil”, completa

O professor Jean Carllos Spiess adverte: “temos que valorizar nossa gastronomia, nossos ingredientes”. Spiess foi também um ministrante convidado a instruir interessados em fazer um bom Sushi e Sashimi. O detalhe principal desta receita típica do Japão é que, aqui no Brasil e mais especificamente em Catu (BA), podem ser usados elementos tradicionalmente locais. Em vez de peixe e frutos do mar, o mestre em ‘Qualidade da Alimentação’ pela Universidade de Santa Catarina sugere, por exemplo, que sejam usados peixe e legumes comuns na região onde o prato está sendo preparado. O então chefe de cozinha de restaurantes internacionais explica: “isso não deixa de ser uma cozinha contemporânea já que se podem utilizar as técnicas de outra região, de outra cultura, aproveitando os mantimentos locais”.



"O uso da criatividade aqui em Catu pode se tornar uma Gastronomia em todo o Brasil"


Spiess é também um empreendedor do ramo gastronômico, ele possui uma empresa. De acordo com o investidor, é possível garantir uma renda fazendo aquilo que se gosta e oferecendo novidades ao público – por sinal, esse foi um dos prenúncios do evento. “A FEMMIC contribuiu para que tivéssemos o olhar técnico e também estratégico da Gastronomia. Assim, com essa visão, é possível contribuir para um desenvolvimento individual e coletivo, já que se pode lucrar pessoal e profissionalmente com a satisfação de um cliente”, avalia.
           
Mostra Científica: conheça os critérios centrais de avaliação

Foram 180 projetos de pesquisa aprovados, dentro das categorias de Educação Básica, Técnica e Superior. Os participantes vieram de todas as regiões do Brasil. Durante o evento, a equipe avaliadora compareceu aos estandes para conferir in loco a estrutura da mostra, o objeto de pesquisa e o desempenho de apresentação dos jovens pesquisadores.

A avaliação considerou os seguintes fatores: comunicação oral, na qual o participante deve ser claro e objetivo; procedimentos e conclusões do trabalho; a capacidade de diferenciação dos aspectos do projeto pelo pesquisador; domínio de conteúdo e capacidade autônoma de desenvolvimento do estudo; se o discente identifica uma possível continuidade do trabalho; e se o estudante demonstra plasticidade em responder as perguntas que o avaliador faz, mesmo que os questionamentos tendam a abordar questões adjacentes ao foco principal da pesquisa.

Quanto aos aspectos estruturais da apresentação do pesquisador, verificou-se, a princípio, o pôster de demonstração visual do trabalho, no qual é avaliada a interação entre o expositor e os visitantes. Especificamente, foram observados elementos internos desse material gráfico, como a disposição de texto e imagem, que pode facilitar ou dificultar o trabalho do expositor – o desejável é que o pôster sintetize os principais pontos da pesquisa.



Avaliadora vai ao estande conferir projeto científico e desempenho dos pesquisadores


A premiação de projetos científicos e seus protagonistas

Foram inúmeros trabalhos, mas não foi somente a quantidade de projetos apresentados que marcou a FEMMIC 2012. A variedade de áreas do conhecimento que nortearam os objetos de pesquisa justifica a riqueza do evento e, acima de tudo, o intercâmbio entre as diversas instituições de educação que estiveram presentes, representadas por jovens que marcam a história do ‘fazer ciência’ no Brasil. 

Vindos do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), Campus Ariquemes, Wanderson Novais, Gustavo Bertão e Lucas Pedro Cipriano mostraram o que podem fazer como pesquisadores. Estes discentes foram premiados com a colocação de primeiro lugar na modalidade de Educação Básica da Mostra Científica. Os estudantes apresentaram o projeto ‘Viabilidade da Substituição do Isopor (constituído de EPS – Poliestireno Expandido) por Material Sintético de Buriti’.

O pesquisador Wanderson Novais explica como foi o estudo feito com o fruto do Buriti, que é um vegetal (palmeira) muito comum na região central e no norte do país. “Procuramos analisar as possibilidades de elaborar um produto que tivesse a mesma utilidade que o isopor, mas que não demorasse muito tempo para se degradar na natureza, como é o caso do EPS, que se alonga por 200 anos até se decompor no meio-ambiente. O nosso produto, feito a base do Buriti, sofrendo as intempéries naturais, se desgasta com no máximo um ano. Trata-se de um recipiente que terá uma função isolante semelhante a do isopor e poderá ser comercializado normalmente”.

Márcia Bay é a orientadora destes cientistas vencedores. Para a pesquisadora, a maior vitória foi apresentar um trabalho científico com os estudantes. Ela relata sobre as dificuldades enfrentadas e que ainda encara para manter projetos de pesquisa. “Um pesquisador precisa de muita vontade e ambição para iniciar e continuar exercendo seu ofício”, destaca a professora, referindo-se também à resistência que algumas instituições de educação e de fomento à pesquisa e empresas têm em apoiar e financiar esses projetos que requerem parcerias. 

Sobre a avaliação pessoal da FEMMIC 2012, Márcia Bay responde: “eu queria ter filmado e registrado tudo para levar para o Norte do país, porque as pessoas acham que pesquisadores só saem da universidade e o IF Baiano provou que esse quadro tem que ser mudado, a partir da realização de um evento como este”.

Os finalistas da FEMMIC 2012 ganharam prêmios como aparelhos eletrônicos, publicação de trabalhos acadêmicos na Revista Ciência Júnior – edição gráfica realizada pelo GPEC, no Campus do IF Baiano em Catu. Os finalistas também devem se apresentar em outros eventos promovidos em vários locais do país, como: a Ciência Jovem (Espaço Ciências, Pernambuco); Mostratec (Fundação Liberato, Rio Grande do Sul); Febrace (Universidade de São Paulo, São Paulo). Além disso, alguns desses pesquisadores serão contemplados com Bolsas de Iniciação Científica do CNPq, da Fapesb e outras mais.

Para ser um pesquisador, o estudante pode conhecer a história e seguir as orientações de Wanderson Novais. “No início não tínhamos bolsa na escola, então foi um pouco difícil, mas, ainda assim, eu e meus colegas procuramos a professora e apresentamos a ideia para ela. Falamos sobre a nossa iniciativa e ela analisou a proposta e nos incentivou dizendo que o projeto era muito bom e que iria nos auxiliar. Logo, decidimos ser um pesquisador. Agora que outras pessoas e setores do IFRO e de outros lugares reconhecem nosso projeto, tentaremos conseguir um apoio financeiro”, esclarece.

Wanderson e sua turma mostrarão o projeto de pesquisa do grupo na Febrace/USP. Eles são da zona rural de Porto Velho (RO) e deixam o recado sobre o ‘fazer ciência’. “É uma missão. Antes de querer ajudar o meio-ambiente e outras coisas, temos que pensar nas pessoas. Se o projeto de um pesquisador não for voltado para o bem comum da sociedade, não tem um sentido fundamental. No caso de nosso projeto, pensamos nas comunidades ribeirinhas e indígenas que vivem das fibras de plantas do Buriti. Então, é um ideal focar na viabilidade social, nas pessoas que precisam do nosso trabalho”, relata e aconselha o pesquisador Wanderson.

Se você quer ser um cientista e profissional qualificado, contribua com o seu conhecimento para um mundo melhor. Um dos maiores eventos da Educação Básica do Brasil, a FEMMIC 2012, provou que produção e difusão do conhecimento e a formação de agentes cientistas não podem parar.

 

 

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