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Pesquisadoras alertam para problemas ambientais evidenciados com a pandemia
Última atualização: 08/06/2020 - 14:35 horas | Data de publicação: 08/06/2020 - 14:35 horas

Efeitos da pandemia causada pelo novo coronavírus no meio ambiente foi o tema discutido no sexto episódio do podcast Papo Ciência lançado no Dia do Meio Ambiente (5)

Por conta da redução da atividade econômica, medidas de isolamento social e novas estratégias para proteção e cuidado da população, cientistas já observam efeitos da pandemia no meio ambiente e discussões importantes emergem diante da crise global. O assunto foi discutido no episódio n° 6 do podcast Papo Ciência, um projeto da Diretoria de Comunicação do IF Baiano, para popularização da ciência, apoiado pelo CNPq e MCTIC.

No programa, lançado na sexta-feira, 5 de junho, Dia do Meio Ambiente, as biólogas, pesquisadoras e docentes Maria Auxiliadora Freitas (Instituto Federal Baiano – Campus Serrinha) e Pollyana Magalhães (Instituto Federal da Bahia – Campus Jequié), com a mediação das jornalistas Bianca Brito e Cristina Mascarenhas, trouxeram fatos e inquietações que servem de alerta para que a sociedade possa repensar comportamentos no pós-pandemia. Veja, a seguir, alguns dos pontos levantados:

1. Redução na emissão de gases poluentes

A diminuição de pessoas nas ruas, redução da atividade industrial e fechamento total ou parcial do comércio vem suscitando uma diminuição de poluentes da atmosfera. “Um estudo australiano sobre mudança climática revela que o dióxido de carbono teve uma redução de 17%, em média, em 19 países, comparando o período de janeiro a abril desse ano, com o mesmo período do ano passado”, relatou a pesquisadora, Pollyana Magalhães. No entanto, ela salienta que o impacto, apesar de positivo, não é tão significativo. “Essa redução do dióxido de carbono vista de forma pontual, falando popularmente, ‘não faz nem cócegas’ na concentração de dióxido de carbono global, uma vez que esse carbono vem se acumulando desde o pós segunda guerra mundial.”

O dióxido de nitrogênio, gás que traz prejuízos ao sistema respiratório, provocando doenças como a asma, também teve uma diminuição considerável nos últimos meses, nos principais países emissores. “Com essa diminuição do dióxido de nitrogênio, também houve uma diminuição de material particulado, que a gente chama popularmente de smog”. Segundo a bióloga, a diminuição do material particulado na atmosfera pode ser relevante inclusive para reduzir as chances de contaminação pelo novo coronavírus. “São pesquisas iniciais, mas alguns pesquisadores acham que o coronavírus (Sars-Cov-2) “pega carona” nesse material particulado. Então é como se fosse uma autoestrada que facilita a propagação e o aceleramento do contágio”, completa.

2. Degradação ambiental e surgimento de novas doenças

As pesquisadoras também apontaram como a degradação ambiental, ao destruir os habitats naturais das espécies, pode ser um fator preponderante para o surgimento de novas doenças. “Diversas doenças, e por exemplo, a Covid-19, são consideradas zoonoses (doenças transmitidas de animais para o ser humano), e são frutos da degradação ambiental e de vários problemas ambientais, dentre eles o desmatamento, as mudanças climáticas, a forma depreciativa como a agricultura é realizada, etc”, explica a pesquisadora Maria Auxiliadora Freitas.

“Por exemplo, a cada quilômetro de amazônia desmatada podem surgir cerca de 27 casos de determinada doença zoonótica. O desmatamento em 2019, foi cerca de 30% maior do que em 2018. Quando vemos o desmatamento desse ano, e nós estamos em maio, ele já ultrapassou o desmatamento de 2019. Imagine a quantidade de vírus que podem se proliferar devido a essa modificação dos habitats?”, complementa.

3. Pandemia realça abismo entre realidades sanitárias

Uma outra reflexão trazida pelo contexto diz sobre as chances de contágio e de cura dos indivíduos expostos ao novo coronavírus, a depender da sua condição sanitária e nutricional. “Todas as pessoas podem ser contaminadas, e nesse sentido, o vírus é imparcial. No entanto, a pandemia em si não é tão indiscriminatória assim”, levanta Pollyana.

“Um ponto que ilustra isso é a situação de refugiados imigrantes que estão no campo de Moria, na Grécia. Lá, as condições são as piores possíveis. Lá se tem apenas uma torneira para cada 1300 pessoas e eles não têm acesso à sabão. Então, como uma torneira vai suprir essa recomendação que a OMS fala o tempo todo, de lavar as mãos, utilizando o sabão?”, provoca a biológa.

Para entender melhor essas discussões, basta acessar o episódio completo “Pandemia e meio ambiente”, disponível nas plataformas:

Spotify: https://sptfy.com/dnUm
YouTube (com tradução em LIBRAS): https://www.youtube.com/watch?v=EzyZTX03dHQ&feature=youtu.be

Saiba mais sobre o projeto em: papociencia.ifbaiano.edu.br

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano – Campus Santa Inês

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