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IF Baiano e HAFROQI realizam aula inaugural do Curso de Extensão Ciência e Ancestralidade no Quilombo Lagoa dos Anjos, Candiba-BA.
Atualizado em 6 de março de 2026 às 14:43 horas | Publicado em 6 de março de 2026 às 14:43 horas

O IF Baiano – Campus Guanambi e o grupo de pesquisa HAFROQI realizaram, no dia 28 de fevereiro de 2026, no Quilombo Lagoa dos Anjos, em Candiba/BA, a aula inaugural do Curso de Extensão Ciência e Ancestralidade: Formação em Agroecologia e Saberes Tradicionais sobre Plantas Medicinais no Sertão Produtivo, realizado no âmbito da Escola Nacional Nego Bispo (Edital IFBA – nº 41/2026). A iniciativa integra as ações formativas voltadas ao fortalecimento do diálogo entre ciência e saberes tradicionais, promovendo a valorização da ancestralidade quilombola, da agroecologia e do uso sustentável das plantas medicinais no território.

O evento contou com a presença de representantes da gestão do Instituto Federal Baiano – Campus Guanambi, do Centro Público de Economia Solidária (Cesol) Sertão Produtiva, de lideranças da Comunidade Quilombola Lagoa dos Anjos, além de cursistas, professores(as) e convidados(as), reafirmando o compromisso institucional com as comunidades tradicionais e com a promoção de uma educação antirracista, territorializada e socialmente referenciada.

Durante a solenidade, a coordenadora de Extensão, Joilma Santos, parabenizou a professora Daniele de Brito Trindade, coordenadora do projeto, e toda a equipe envolvida na realização do curso, que tem como objetivo promover a integração entre os saberes tradicionais quilombolas e o conhecimento científico, com ênfase na agroecologia e no uso de plantas medicinais. A iniciativa busca fortalecer a valorização da ancestralidade e o manejo sustentável do território.

“Trata-se de um projeto grandioso, que conta com a honrosa participação da Mestra dos Saberes Tradicionais Luciene Alves (Tia Iyô), que possui um elo solidificado com o Campus Guanambi. A proposta dialoga diretamente com o papel institucional de tornar efetivas as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira, africana e indígena”, destacou. A coordenadora ressaltou, ainda, a importância de ampliar iniciativas como esta para atender outros quilombos do território, fortalecendo a integração entre o Instituto e as comunidades tradicionais.

A Mestra dos Saberes Tradicionais, Luciene Alves dos Santos, carinhosamente conhecida como Tia Iyô, também compartilhou sua emoção ao participar do curso como formadora. Para ela, ministrar o curso sobre remédios caseiros e plantas medicinais “que a nossa Mãe Terra nos dá” é motivo de profunda gratidão. Tia Iyô destacou que, ao longo de 14 anos desenvolvendo esse trabalho com sua família, seus descendentes, sua avó e sua mãe, sempre aprendeu com a natureza e com a vivência comunitária. 

Tia Iyô enfatizou que este momento representa algo histórico em sua trajetória: pela primeira vez, será remunerada pelo saber que construiu ao longo da vida. Segundo suas palavras, é uma grande alegria poder receber uma bolsa e um pagamento justo para fazer aquilo que mais ama: falar dos remédios que a Mãe Terra oferece, devolvendo à comunidade, com amor e luta, o conhecimento que foi transmitido por gerações. Também expressou gratidão à professora Daniele e às pesquisadoras envolvidas, que, segundo ela, não mediram esforços para apoiar, registrar e transformar sua fala em palavra escrita, fortalecendo e valorizando esse saber ancestral.

Entre os cursistas, a professora Andréia Pereira Rocha, licenciada em Educação Física e graduanda em Gestão Escolar pela UESB, atualmente diretora do Colégio Estadual de Tempo Integral Jorge Amado, na cidade de Iuiú/BA, destacou a relevância da formação. Também cursista do Curso de Extensão Ciência e Ancestralidade, ela externou sua alegria ao participar de uma iniciativa dessa magnitude. Segundo a professora Andréia, é sempre gratificante discutir temas como os diversos saberes na sociedade e a importância que cada um representa nesse meio, trazendo a democracia do conhecimento, sem sobrepor um ao outro. Ressaltou ainda que falar de ciência e ancestralidade de uma maneira que engrandece o trabalho desenvolvido dentro da escola é fundamental, sobretudo ao valorizar os saberes que os alunos já trazem do lugar onde vivem, aliando esse conhecimento ao acadêmico, tornando-o relevante e científico, o que enaltece a aprendizagem efetiva.

A professora Andréia afirmou sentir-se lisonjeada por ser cursista do curso e por vivenciar as aulas em um quilombo. Destacou o quanto é encantador ouvir a comunidade contar sua história, compreender a representação e importância da mulher negra líder e reconhecer nas vivências narradas elementos de sua própria ancestralidade. Para ela, trata-se de conhecimento e sabedoria que precisam ser levados aos alunos do colégio onde trabalha, cujo alunado é majoritariamente negro e, muitas vezes, pouco se reconhece em sua própria história. Ao final, a professora Andréia Rocha e a professora Daniele Trindade firmaram parceria entre o grupo de pesquisa HAFROQI e o Colégio Estadual Jorge Amado, fortalecendo os laços institucionais e ampliando as possibilidades de atuação conjunta. 

Segundo a professora Daniele, o “curso Ciência e Ancestralidade reafirma o compromisso do Instituto Federal Baiano com a promoção da justiça social, da valorização dos saberes tradicionais e da construção de uma educação que reconhece, respeita e integra diferentes formas de produzir conhecimento, fortalecendo o território e suas ancestralidades”, comentou.

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