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HAFROQI levou pesquisas sobre ancestralidade, comunidades quilombolas e povos de terreiro ao XIV COPENE Nacional
Atualizado em 15 de outubro de 2026 às 14:05 horas | Publicado em 15 de outubro de 2026 às 13:59 horas

O Grupo de Pesquisa HAFROQI – História, Memória e Identidade Afro-Brasileira, Quilombola e Indígena do Sertão Produtivo, vinculado ao Instituto Federal Baiano (IF Baiano), Campus Guanambi, e certificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), marcou presença no XIV Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) (COPENE), realizado entre os dias 28 e 31 de julho de 2026, na Universidade de Brasília (UnB), em Brasília-DF.

Promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN), em parceria com o Consórcio Nacional dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas e Grupos Correlatos (CONNEABS), o congresso teve como tema “Consciência Negra: contribuição do pensamento afrodiaspórico para a democracia brasileira” e reuniu pesquisadores(as), estudantes, movimentos sociais, lideranças de povos e comunidades tradicionais e instituições de ensino de todas as regiões do país. Considerado o principal evento científico brasileiro dedicado aos estudos das relações étnico-raciais, o COPENE constitui um espaço estratégico para a produção, socialização e fortalecimento de conhecimentos comprometidos com a promoção da igualdade racial.

Representando o IF Baiano, estudantes do HAFROQI apresentaram pesquisas desenvolvidas em parceria com comunidades quilombolas e povos de terreiro do Sertão Produtivo da Bahia. Os trabalhos evidenciaram a integração entre ensino, pesquisa e extensão e abordaram temas relacionados à etnobotânica, patrimônio biocultural, memória, identidade, espiritualidade, tecnologias sociais, sustentabilidade, justiça hídrica e valorização dos saberes tradicionais.

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Na modalidade Comunicação Oral, o grupo apresentou os trabalhos “Encruzilhadas dos Saberes: diálogos entre ciência, ancestralidade e conhecimentos tradicionais sobre plantas medicinais no Quilombo Lagoa dos Anjos” e “Território, Espiritualidade e Práticas de Cura: o papel das plantas medicinais em comunidades tradicionais afro-brasileiras”. Já na modalidade Pôster, foram apresentados os estudos “Entrelaços no Axé: acarajé como expressão da cosmologia afro-brasileira” e “Tecnologia social e justiça hídrica em terreiro de Candomblé: reúso de águas cinzas no Ilé Àsé Ojú Dan Láyé (Guanambi-BA)”.

Para a professora Daniele de Brito Trindade, líder do HAFROQI, a participação no COPENE representa a consolidação de um trabalho coletivo desenvolvido em estreita parceria com as comunidades.

“Participar do COPENE é reafirmar que a ciência produzida no Sertão Produtivo da Bahia tem relevância nacional e dialoga diretamente com os grandes debates sobre as relações étnico-raciais no Brasil. Cada pesquisa apresentada pelo HAFROQI nasce do diálogo com comunidades quilombolas e povos de terreiro, reconhecendo seus saberes como conhecimentos legítimos e fundamentais para a produção científica. Ver nossos estudantes ocupando esse espaço, apresentando seus trabalhos e construindo redes de colaboração demonstra que estamos formando pesquisadores comprometidos com uma ciência antirracista, ética, socialmente referenciada e capaz de transformar realidades.”

De acordo com Daniele, as pesquisas refletem o compromisso do HAFROQI com uma ciência socialmente referenciada, construída em diálogo com as comunidades tradicionais e fundamentada no reconhecimento das epistemologias negras, quilombolas, indígenas e dos povos de terreiro. “Ao integrar conhecimentos científicos e saberes ancestrais, os estudos desenvolvidos pelo grupo contribuem para a valorização do patrimônio biocultural, para o fortalecimento das identidades coletivas e para a construção de soluções voltadas à promoção da justiça social e ambiental”, comentou.

A experiência também marcou a trajetória acadêmica dos estudantes integrantes do grupo. Para Taís Carolane Souza Almeida, discente do curso de Bacharelado em Engenharia Agronômica, participar do congresso representou um momento de pertencimento e fortalecimento de sua identidade como pesquisadora.

“Participar do XIV COPENE foi surreal. Estive cercada por pessoas que pesquisam, resistem e lutam pelas mesmas causas que eu. Ocupando esse espaço com tanto orgulho, me senti acolhida e representada do início ao fim. Tive a oportunidade de apresentar três trabalhos do HAFROQI e voltei com a certeza de que esse é o caminho que quero trilhar.”

O estudante do curso Técnico em Agroindústria integrado ao Ensino Médio, David de Souza Ramos ressaltou a importância das trocas de experiências proporcionadas pelo evento.

“Apresentar minha pesquisa em um espaço com uma representatividade tão grande foi motivo de muito orgulho. As trocas de experiências reforçaram em mim a importância de ocupar esses espaços e mostrar que a ciência também é feita a partir das nossas histórias, das nossas vivências e dos nossos territórios. Volto dessa experiência com muito aprendizado, novas ideias e ainda mais vontade de continuar pesquisando e valorizando os saberes da nossa comunidade.”

Além da divulgação das pesquisas, a participação no XIV COPENE fortaleceu a inserção nacional do HAFROQI, ampliando o diálogo com pesquisadores(as), NEABs, NEABIs, grupos de pesquisa e movimentos sociais de diferentes regiões do país. Esses intercâmbios contribuem para a consolidação de redes de colaboração e para o desenvolvimento de pesquisas comprometidas com a promoção da igualdade étnico-racial e com a valorização dos conhecimentos produzidos pelas comunidades tradicionais.

Ao representar o IF Baiano no principal congresso brasileiro da área, o HAFROQI reafirma seu compromisso com uma produção científica crítica, interdisciplinar e socialmente comprometida. A participação no evento evidencia o protagonismo de docentes e estudantes na construção de conhecimentos que articulam ciência, ancestralidade e território, fortalecendo o papel da instituição na promoção de uma educação pública, inclusiva, antirracista e comprometida com a transformação social.

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